Até aonde a gastronomia é legal?

A Tânia do blog Zakuskas, publicou esse texto da Veja no seu blog, nem preciso dizer que adorei né?!

Os gastrochatos

Todo dia surge uma nova moda culinária! Muitos adoram demonstrar seus conhecimentos sobre cada novo tempero, ingrediente, chef ou tendência! São os gastrochatos. Um dos pratos mais falados é a tal da "espuma". Faz-se espuma de tudo, até de salmão. Fico enjoado só de pensar em espuma de peixe! Um amigo comentou, entusiasmado:

– Comi o ovo perfeito!

É um ovo cozido a determinada temperatura durante horas. Mas ovo não tem sempre gosto de ovo? Na esteira vêm bolinhas que explodem na boca e outras novidades. Fruto da culinária do catalão Ferran Adrià. Reservas para seu restaurante, na Espanha, só com dois, três anos de antecedência. Furar a fila é mais difícil que fazer tomografia no INSS. Adrià realiza alguns eventos no exterior, mas poucos. Tem seus seguidores, sempre em endereços de luxo. Por estatística, é impossível que tanta gente tenha provado suas receitas, mas é chique falar a respeito. Há quem pague fortunas para comparecer a eventos culinários. E depois se exibir. Vi o cardápio de um jantar caríssimo, disputado a tapas. Entre outros itens, lá estava: tartar de tomate. Não passa de tomate cru temperado. O gastrochato jamais admitirá ter gasto uma fábula em um prato tão simples. Prefere o nome difícil: tartar! Falando das palavras: inventaram agora o "caviar" de berinjela, de abobrinha etc. etc... Caviar de verdade vem das ovas de esturjão. O resto são bolinhas pequenininhas. Quem ouve a respeito sofre ao imaginar o que está perdendo na vida. Eu digo: berinjela crua! Outra moda é a tal da "finger food". A comida é servida em porções mínimas! Para degustação! Fui a um jantar em que tudo vinha em potinhos: um dedinho de paella, outro de macarrão, e assim por diante. Passei fome. Se minha mãe servisse tão pouco, seria chamada de pão-duro. Hoje virou coisa refinada!

Também existem os gastrochatos da saúde. Os mais extremos são os da linha vegan. É o vegetarianismo radical. Uma conhecida jamais usa em vegetais uma faca que tenha cortado carne, porque está "impura". Os vegans não desfrutam nenhum derivado de animais. Nem mel. Um amigo entrou em um novo restaurante. Prato do dia: moqueca de tofu. Eu teria fugido. O inocente sentou-se. Veio tofu no azeite de dendê. Dá para imaginar coisa menos apetitosa? Reclamou. Levou bronca da dona.

– Pensei que era um tofu refogado...

– Você devia saber que moqueca tem azeite de dendê!

Correu até a hamburgueria mais próxima. Em outra época, a moda era a macrobiótica. Havia um regime à base unicamente de arroz integral que prometia deixar a saúde impecável. Um conhecido foi parar no hospital, com desnutrição. A explicação do mestre:

– Você não fez direito.

Um amigo natureba adora cozinhar para as filhas: tofu frito com cebolinha e arroz integral. Comentou, espantado:

– Descobri que elas comem bife escondido na casa das amigas!

– Você está criando duas carnívoras – expliquei. – Quem cresce comendo tofu vai se esbaldar na primeira churrascaria até antes de aprender a dirigir!

Vem mais por aí. Segundo descobertas científicas, quanto menos se ingere comida, mais se vive. É fato. Há um movimento nos Estados Unidos cujos membros comem o mínimo possível. Li numa reportagem: os seguidores fizeram um banquete em torno de fatias de beterraba! Um homem era alaranjado, com a dieta à base de cenoura! A moda vai chegar, se já não chegou ainda! Comer com os amigos é tão bom! Mas o gastrochato transforma o prazer em teoria. E a culinária em uma espécie de religião! Gastronomia é uma arte. Mas pode virar uma chatice.

Josy Marmello  – (18 de março de 2009 às 00:35)  

Bom, nem preciso dizer a minha opinião a respeito. Torço do fundo do meu coração, que essa onda de "Cozinha Molecular" de Ferran Adriá, Hervé This e cia. passe logo, desapareça de uma vez. Um modismo tosco, descartável. Mas é também uma p*** jogada de marketing. O Adriá ganha dinheiro "a rodo" com o restaurante dele (El Bulli) e não é à toa. Para qualquer porcaria que apareça, tem sempre a mídia, e para cada novo modismo sempre haverá mercado consumidor. Existe um punhado de "chefs" que jamais verá a cor do meu dinheiro.
Beijos,
Josy

Josy Marmello  – (18 de março de 2009 às 00:37)  

Ah, descobri que tem uma tal de Josi Marmelo causando por aí em vários blogs, deixando comentários venenosos (os meus são só um pouco ácidos, sem perder a ternura...). Se ela pintar por aqui, ja sabes a grafia do meu, né?
Mais beijos!

Axly  – (18 de março de 2009 às 01:13)  

É um texto e tanto, explica bem o que esse povo chato faz e pensa.
Kisss^^

Nana  – (18 de março de 2009 às 06:30)  

Josy, concordo tudo que vc falou querida!
Eu ainda tenho a cabeça na comida da vovó, aonde se come bem e comidas maravilhosas.
Se depender de mim, esses chefes tb não viram o dindin, apesar que eles não estão nem um pouco preocupados rs
Agora que história é essa?! Eita, povo maluco.

Axly, quando li eu adorei!!

Bjss meninas

Anônimo –   – (18 de março de 2009 às 08:10)  

Amiga isso não servia para mim de maneira nenhuma!!!Passar fome??? Nem pensar! Eu gosto de um prato bem servido, cheínho de tudo aquilo que eu adoro e que faz tão mal, mas sabe tão bem!!! Eh Eh Eh...
Em relação à cozinha vegan, eu tenho um amigo que é e já falei dele por várias vezes no meu blog e acredita que ele faz pratos fantásticos, sem utilizar nada de origem animal! Eu nunca pensei que fosse possivel, mas acredita que é! Já tenho experimentado por várias vezes e adorei mesmo! :)
Bjcas!

Anônimo –   – (18 de março de 2009 às 09:37)  

E a moda do sorvete salgado?! afe! assim a coisa perde o encanto.

Bjs

Adriana  – (18 de março de 2009 às 10:01)  

Ainda prefiro o arroz com feijão da minha casa.Invenções e invenções não faz muito meu genero!

bjs

Iliane  – (18 de março de 2009 às 16:53)  
Este comentário foi removido pelo autor.
Laély  – (18 de março de 2009 às 20:06)  

Oi, Nana!
Não se pode esquecer da função social da comida. Assim como a religião verdadeira, gastronomia deveria servir para aproximar as pessoas em volta de uma boa mesa, de um bom papo...e não para dividi-las em castas. Tenho um filho de 14 anos que resolveu parar de comer carne, apesar de continuarmos comendo. Como um adolescente normal, ele às vezes sai com os amigos para lanchonete. Volta com fome, mas volta feliz!
Aproveitando a chance, quando puder, dá uma passadinha no meu blog. Na linha "um espírito baixou em mim", dei uma de "nana" e passei receita de pão, com direito a passo a passo ilustrado:
http://saladala.blogspot.com/2009/03/pao-de-leite-fofinho.html
O post "Comida de Rainha" mostra que criamos nossas referências na cozinha de casa:
http://saladala.blogspot.com/2009/03/comida-de-mae.html
Um abraço!
Laély

Unknown  – (18 de março de 2009 às 23:45)  

Conheço essa da macrobiótica, uma amiga minha já fez a do arroz integral, hoje não quer nem ver arroz na frente dela, rsrsrs.



Mil beijos

Laély  – (19 de março de 2009 às 10:15)  

Nana:
Obrigada pela visita e por me colocar na sua sala de leitura!
Procurarei não decepcionar!
Um abraço!

Anônimo –   – (19 de março de 2009 às 10:16)  

Nossa que texto legal, concordo plenamente. Para mim culinária não tem mistério. Odeio quando procuro uma receita ou mesmo lendo alguma coisa na Net e vem alguém dizendo que isso não pode comer com aquilo, que a comida do restaurante x é melhor, porque é elaborada pelo chef do momento. Cansa tudo isso. Sabe o lugar mais gostoso de se comer para mim? A minha casa, minha mãe é uma cozinheira excelente e eu estou aprendendo. Não gosto de modismo, na comida, nas roupas, em tudo, o simples sempre é mais gostoso e melhor.Bjos.

Anônimo –   – (19 de março de 2009 às 15:41)  

Oi Nana, minha querida, você e suas eternas graças... o facto é que existe muita gente, pretensamente fina, que vem para os Blogues mostrar a sua feira de vaidades. De todos os tipos, géneros e feitios... Comigo não gruda (nem desgruda) porque eu abomino essa gentinha, pode crer!
Uma vez fui a um restaurante onde me serviram, a meu pedido, o prato que tinha escolhido: bacalhau cozido. Nem era restaurante fino, porque aí já sei que como sempre mal, mas nunca lá tinha ido e então, na hora de chegar o prato em cima da mesa, vi um pratão de louça branca que mais parecia uma rodela de camião e no meio, bem pequeninino, uma batatinha, duas lascas de bacalhau, um niquinho de brócolos e um raminho de couve-flor. Aí, eu perguntei ao moço se era para provar e ele respondeu que era o prato. Aí eu lhe disse: traga a panela faz favor! Era o tal "finger food" que fala em seu post...
Mas existe, infelizmente, muita gentinha que gosta de se mostrar diferente dos outros e então inventa uma série de nomes estrambólicos para os pratos e no fim a coisa é só farófia!
Alguma vez eu "perfumava" uma refeição? Perfume uso em meu corpo, água de colónia ou after shave, agora "perfumar" comida?
Bom... só mais uma achega já que essa toca-me directamente: a determinada altura do seu post, está escrito que «Em outra época, a moda era a macrobiótica. Havia um regime à base unicamente de arroz integral que prometia deixar a saúde impecável. Um conhecido foi parar no hospital, com desnutrição. A explicação do mestre: – Você não fez direito.»
Se alguém segue um regime alimentar, seja ele qual for, sem respeitar os requisitos mínimos de equilíbrio do nosso organismo, com certeza que dá bronca! E da grossa, podendo até entrar em desnutrição total e virar cadáver de um mês para o outro!
Eu fiz macrobiótica durante 20 anos, minha querida e apenas para entrar nesse regime, levei um ano. E depois, o regime mecrobiótico, não contemnpla apenas arroz integral. Tem toda uma série de cereais, leguminosas, vegetais que o completam. Será que eu durante vinte anos andei zombie? Nada disso, pois foram os melhores anos de minha vida, pode crer! Porque saí desse regime? Pois, minha querida, a vida é dura e ou virava homem das cavernas e ia morar para a selva ou, para manter meu status profissional, tinha de comer de tudo... É que durante esses 20 anos, tinha todas as hipóteses de fazer o regime porque a minha profissão a isso o permitia, inclusive de almoçar em restaurantes macro-vegetarianos, depois virei de emprego e aí já não deu mais... mas também para sair desse regime, estive mais outro ano em "descompressão" alimentar para habituar de novo o organismo às toxinas tão nossas conhecidas...
As coisas quando são planeadas com cabeça, tronco e membros e conhecimento de causa, não podem sair mal, o problema é querer fazer tudo de uma vez e sem o mínimo de conhecimento da matéria.
Desculpe este testamento, tá?
Bjs grandes.

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